As Marcas Invisíveis do Nascimento a Fórceps: Como o Começo da Vida Pode Moldar Quem Nos Tornamos
19/01/2026
Muitas vezes, quando se fala sobre nascimento a fórceps, a primeira imagem que vem à mente é a de uma marca física: um hematoma, um machucado, uma pequena cicatriz deixada pela pressão do instrumento.
Mas o que quase nunca é dito, nem nos consultórios, nem nas conversas profissionais, nem entre mães e pais, é que as marcas mais profundas raramente são visíveis. A ausência de uma lesão aparente não significa ausência de impacto emocional, nem ausência de consequências somáticas, relacionais e comportamentais que podem se manifestar anos, ou décadas depois, na vida de uma pessoa.
Antes de avançarmos, um esclarecimento essencial: este artigo não existe para culpar mães, famílias ou profissionais de saúde. Em muitos casos, o fórceps foi um recurso necessário e salvou vidas. E isso importa.
Mas também é verdade que salvar uma vida não significa que não haja marcas. Significa que a vida foi preservada, e isso é precioso. O convite aqui é ampliar o olhar para dimensões que, em geral, ficam fora das avaliações médicas tradicionais.

O que é o fórceps (em linguagem simples)
O fórceps é um instrumento obstétrico utilizado em alguns partos vaginais para auxiliar a saída do bebê, especialmente em cenários como:
- exaustão materna no período expulsivo
- necessidade de abreviar o parto por indicação clínica
- dificuldades de progressão do bebê no canal de parto
- situações de urgência em que a equipe precisa agir com rapidez
Ou seja, o fórceps tende a aparecer quando o parto deixa de ser um fluxo orgânico e passa a ser atravessado por pressa, força e intervenção externa.

O que a medicina avalia (e por que muitas pessoas dizem que “não houve problema”)
Durante muito tempo, a medicina avaliou o sucesso de um parto instrumentalizado a partir de perguntas como: o bebê está vivo e fisiologicamente estável? Se a resposta era sim, considerava-se que tudo correu bem.
Esse olhar é crucial. Ele salva vidas.
O ponto cego surge quando uma avaliação vital e orgânica é confundida com uma avaliação completa da experiência. Em geral, parâmetros médicos conseguem responder muito bem perguntas como:
- Houve lesão orgânica detectável?
- Houve necessidade de reanimação?
- O bebê está com sinais vitais estáveis?
- Há algum sinal neurológico imediato importante?
Mas esses parâmetros não medem diretamente:
- como o sistema nervoso do bebê se organizou durante o evento
- quais respostas de sobrevivência foram acionadas (luta, congelamento, colapso)
- que tipo de memória implícita ficou registrada no corpo
- como o estado da mãe (medo, choque, perda de controle) influenciou o campo emocional do nascimento
Dizer “não houve problema” do ponto de vista médico pode significar apenas isto: não identificamos dano físico imediato mensurável. Isso é muito importante, mas não esgota a realidade do que foi vivido.

O bebê é um ser senciente: por que isso muda tudo
Pesquisadores e autores como David Chamberlain, Thomas Verny e William Emerson reforçaram uma premissa central da Psicologia Pré e Perinatal: o bebê, ainda no útero, é um ser senciente, ou seja, ele percebe, registra e responde ao ambiente.
Isso não significa que o bebê “pensa” como um adulto. Significa que ele vive o mundo como um organismo em formação, e o que acontece deixa registros principalmente não verbais, como sensações, tensões, impulsos interrompidos, medo e organização neurofisiológica.
Por isso, quando uma cabeça maleável é comprimida, tracionada e retirada do útero por uma força externa, o corpo pode registrar o evento como muito mais do que um “procedimento obstétrico”. Para muitas pessoas, isso se inscreve como um evento existencial: urgência, força, invasão, falta de escolha, ruptura de limites.

Não é só o bebê: quando o corpo da mãe também é atravessado
Compreender o impacto do fórceps exige olhar também para a mãe. O nascimento acontece dentro de um campo emocional compartilhado. Observar a mãe não substitui o bebê, mas amplia o entendimento do ambiente no qual o bebê chegou.
Para muitas mulheres, o fórceps não foi apenas um instrumento. Foi um momento vivido como invasão, ruptura e perda de autonomia. Em segundos, algumas mulheres sentem que perderam o controle do próprio corpo. A inserção repentina, a pressão interna, a tração e o toque frio podem ser percebidos como invasão física e emocional.
Algumas relatam medo de morrer. Outras relatam medo intenso pelo bebê. Outras descrevem paralisação, sensação de violação, dor e choque. Mesmo quando o procedimento salva vidas, o impacto emocional pode ser profundo e silencioso.
Depois do nascimento, muitas carregam culpa ou sensação de fracasso. Acreditam que seu corpo falhou, que não foram capazes, que não foram suficientes. Essa culpa injusta pode fragilizar o vínculo inicial. A mãe ama, mas sente que falhou. Quer se conectar, mas sua própria experiência permaneceu aberta.
Não é incomum observar, especialmente quando o parto foi vivido como traumático:
- dificuldade de amamentar
- sensação de desligamento emocional
- medo de tocar o bebê ou medo de “machucar”
- dificuldade de sentir alegria nas primeiras horas ou dias
- labilidade emocional intensa (choro repentino, irritabilidade, instabilidade de humor, exaustão)
A labilidade emocional pode ser comum no puerpério, mas pode ser intensificada quando o parto foi vivido como traumático. Não é fragilidade. É resposta ao que foi atravessado.
E isso importa porque essas vivências maternas influenciam o campo emocional no qual o bebê chega. O bebê vive compressão e tração. A mãe vive invasão e perda de controle. Juntos, esses elementos formam o clima emocional da chegada.
O parto como assinatura: o que o fórceps pode marcar no corpo
Uma das contribuições mais valiosas da Psicologia Pré e Perinatal é compreender que cada tipo de nascimento pode deixar uma assinatura emocional e somática. Isso não é determinismo, não é sentença. É uma lente para enxergar padrões e reorganizá-los.
No fórceps, há frequentemente uma combinação de urgência, força externa, interrupção do impulso e pouco tempo para escolha.
Para algumas pessoas, o registro implícito pode se organizar como:
- “Eu não posso, alguém decide por mim.”
- “Para viver, eu preciso aguentar pressão.”
- “Eu preciso resistir.”
- “Se eu relaxar, algo me invade.”
Quando isso não é verbal, mas biológico, tende a reaparecer anos depois como reatividade, exaustão defensiva, irritação diante de autoridade, ou submissão silenciosa.

Padrões comuns na vida adulta (sem rótulos, sem determinismo)
É fundamental dizer com clareza: o fórceps não é toda a história e não é a única causa possível dos padrões abaixo. Cada pessoa carrega um conjunto de fatores. Ainda assim, quando alguém tem história de fórceps e se reconhece profundamente, vale considerar que o corpo pode estar tentando contar uma história que ficou incompleta.
Dificuldade com autoridade
- reatividade a regras rígidas, chefias autoritárias, imposições sem diálogo
- necessidade de fazer do próprio jeito como resposta automática
- oscilação entre submissão e resistência, como se algo travasse por dentro
Controle como sobrevivência
- necessidade de antecipar e controlar para não ser invadido
- dificuldade em receber ajuda (ajuda é sentida como força, não como suporte)
- dificuldade profunda em relaxar
Corpo em estado de alerta
- tensão crônica em mandíbula, pescoço e ombros
- enxaquecas
- irritabilidade sem aviso
- explosões emocionais seguidas de culpa
- sufoco emocional, sensação de pressão interna
A mente pode esquecer. O corpo não esquece sozinho.

Raiva reprimida, contenção e explosões
Uma característica muito comum em quem nasceu a fórceps é a presença de raiva reprimida. Muitas vezes ela não aparece como uma pessoa “raivosa” no dia a dia. Pelo contrário. A raiva costuma ser bem contida, civilizada, engolida, organizada.
O problema é que, quando existe um histórico de pressão, tração e invasão no começo da vida, a raiva pode ficar registrada como uma resposta de sobrevivência que não teve saída. E então basta algo desengatilhar a pessoa, uma ordem, uma cobrança, uma invasão de limite, uma sensação de injustiça, para essa raiva vir de forma desgovernada, intensa e desproporcional, afetando de maneira maléfica todos que estão ao redor.
Não é falta de caráter. Não é “temperamento ruim”. Muitas vezes é um sistema nervoso que ficou treinado para aguentar até não aguentar mais.

Casos clínicos (para dar corpo ao que estou descrevendo)
Os casos abaixo não existem para “provar” causalidade. Eles existem para ilustrar um ponto clínico simples: quando o corpo encontra linguagem, apoio e segurança, ele começa a reorganizar aquilo que ficou congelado no início. O fórceps pode ser um recurso salvador e, ainda assim, deixar marcas invisíveis que aparecem em padrões muito concretos no cotidiano.
Caso 1: a autoridade na sala de aula, o corpo dizendo “não”
Certa vez eu estava com uma pessoa em um grupo, em uma turma, dando aula. E uma coisa começou a se repetir de forma insistente: em praticamente todas as atividades que eu passava, essa pessoa encontrava um jeito de fazer o contrário do que eu orientava.
Se eu pedia para escrever à mão com papel e caneta, ela insistia em escrever no celular. Se eu prescrevia um formato simples, ela buscava outro. Se eu organizava uma sequência, ela queria inverter. Não era hostilidade explícita, mas havia um padrão de oposição, um contra quase automático, como se o corpo precisasse reafirmar autonomia o tempo todo.
Chegou um ponto, no segundo dia, em que, depois de eu dar instruções, ver o grupo seguir normalmente e essa pessoa repetir mais uma vez esse movimento de fazer do jeito dela, eu perguntei: por acaso o seu nascimento foi a fórceps?
Ela me contestou imediatamente: como é que você sabe?
Eu disse a ela que uma das características mais frequentes em quem nasceu a fórceps é uma dificuldade de lidar com autoridade, não como traço de caráter, mas como memória corporal. E naquele contexto, eu, enquanto professor, podia ser percebido pelo sistema nervoso dela como uma figura de autoridade que dita regras e conduz.
Nesse momento ela se emocionou bastante. E felizmente tivemos a possibilidade de iniciar um trabalho de reorganização do sistema nervoso, porque aquelas marcas não estavam na pele. Elas estavam presentes nas emoções, na fisiologia e na psique.

Caso 2: o chefe, a regressão espontânea e o “eu fui puxada para fora”
Em outra ocasião, eu estava trabalhando com uma pessoa sua dificuldade de lidar com o chefe no trabalho. Ela descrevia sensação de injustiça, irritação e uma reatividade que aparecia antes mesmo dela conseguir pensar. Dizia que, com o chefe, o corpo travava e ao mesmo tempo queria bater de frente.
Já na primeira sessão, ela regrediu espontaneamente ao nascimento e disse algo muito direto: eu fui puxada para fora, eu não queria ir.
Nos trabalhos seguintes, continuamos explorando suas memórias implícitas e chegamos ao período gestacional. A mãe estava sendo traída pelo marido e, por todo sofrimento e confusão, vivia uma realidade emocional muito dura. Sofria, mas não podia terminar o relacionamento porque teria um filho para cuidar e não tinha recursos financeiros. Não havia presença do pai, não havia um campo de vínculo pré-natal sustentado, e a mãe estava atravessada por dor, impotência e ambivalência.
Esse homem, já adulto, se deu conta de algo muito coerente para o corpo dele: enquanto bebê, ele não queria nascer naquele cenário. Ele resistiu com todas as forças, até ser tirado à força pelo fórceps. O nascimento, então, ficou registrado como uma experiência de ser arrancado de um ambiente já difícil, sem escolha e com pressão.
Essas explorações e trabalhos somáticos não só ajudaram a compreender de onde vinha a dificuldade com o chefe, como o fizeram construir uma postura completamente diferente no trabalho, com mais presença e menos reatividade. O resultado foi um reposicionamento tão claro que ele acabou recebendo uma promoção.

Caso 3: “eu reajo antes de entender” e o alarme na presença de comando
Em alguns casos, a marca não aparece como oposição consciente, mas como um alarme que sobe antes da pessoa conseguir escolher como agir.
Eu acompanhei alguém que descrevia o mesmo padrão em diferentes áreas da vida: quando alguém dava uma ordem direta, quando recebia uma cobrança ou quando sentia que “estavam tentando conduzi-la”, o corpo reagia imediatamente. A mente até tentava dizer “não é nada”, mas havia calor subindo, tensão na mandíbula, rigidez no pescoço e um impulso de se defender.
No trabalho somático, o tema recorrente era sempre o mesmo: força externa chegando de forma invasiva, sem tempo, sem consentimento e sem escolha. O corpo dizia algo como: alguém decide por mim e eu só tenho que aguentar.
Com o tempo, ao trabalhar a diferença entre comando invasivo e condução segura, e ao reorganizar respostas defensivas congeladas, a pessoa passou a notar uma mudança importante: ela conseguia ouvir uma orientação sem entrar automaticamente em ameaça. E quando precisava discordar, conseguia fazer isso com firmeza, mas sem explosão.

Caso 4: controle como tentativa de sobreviver, e a confusão entre ajuda e invasão
Outro padrão muito comum é a pessoa confundir apoio com invasão. Não porque ela “não sabe receber”, mas porque o corpo aprendeu muito cedo que algo externo que entra, entra com força.
Uma pessoa chegou com hipercontrole, exaustão e a sensação constante de que, se ela relaxasse, algo ruim aconteceria. Ela dizia: eu preciso estar no comando, porque quando alguém assume, eu me sinto invadida.
No corpo, a palavra “ajuda” tinha o mesmo sabor de “pressão”. E isso se repetia em tudo: no trabalho, nos relacionamentos, na vida cotidiana. Receber apoio era sentido como perder autonomia. E perder autonomia era sentido como perigo.
No processo terapêutico, um ponto de virada foi quando ela conseguiu experimentar, no corpo, a diferença entre pressão que machuca e contenção que sustenta. A reorganização não foi mental. Foi fisiológica. A pessoa começou a ter pequenas experiências reais de relaxamento, sem colapso, e a vida foi ficando menos guerra e mais fluxo.
Caso 5: tensão em mandíbula e pescoço, raiva contida e dificuldade de receber cuidado
Há também pessoas que carregam sintomas físicos como se estivessem sustentando uma pressão antiga. Mandíbula, pescoço, ombros, enxaquecas. E junto disso, uma dificuldade profunda de se deixar cuidar.
Acompanhando uma pessoa assim, foi ficando claro que “ser tocada” emocionalmente era percebido como um risco. Não havia facilidade em permitir apoio, nem em confiar na presença do outro. O corpo parecia ter aprendido: se alguém chega perto demais, algo pode invadir.
E havia mais uma camada importante. Essa pessoa não se descrevia como alguém raivoso. Pelo contrário. Ela era “correta”, controlada, evitava conflito, engolia. Só que, de tempos em tempos, bastava um detalhe desengatilhar, uma cobrança, uma sensação de injustiça, uma pressão vinda de alguém, e a raiva vinha de forma intensa, desgovernada, seguida de culpa e exaustão. Como se o corpo estivesse aguentando há muito tempo e, de repente, perdesse o freio.
No processo somático, começamos a diferenciar duas coisas que para o sistema nervoso dela eram quase iguais: apoio e invasão, contenção e pressão. E, à medida que ela podia sentir isso no corpo com escolha, ritmo, orientação e respeito aos limites, algo começou a ceder. A tensão não sumiu por “decisão”. Ela foi perdendo função.
Com isso, a raiva também começou a mudar de lugar. Ela deixou de aparecer como explosão que machuca e passou a se tornar uma força mais clara de limite, direção e proteção saudável. E a pessoa começou a receber ajuda sem sentir que estava perdendo a si mesma.
O fórceps não é toda a história: o que veio antes, durante e depois
Nenhum nascimento existe sozinho. Para compreender as marcas, é essencial investigar a linha inteira:
O que veio antes
- O bebê foi desejado?
- Houve vínculo pré-natal?
- A gestação foi vivida com medo, estresse ou conflitos?
- A mãe estava emocionalmente disponível?
Por que o fórceps foi necessário
- exaustão materna
- sofrimento fetal (ou suspeita)
- intervenções em cascata
- pressão institucional
- manejo inadequado, falta de suporte ou ambiente hostil
Como foi vivido pela mãe
- houve medo, invasão, perda de controle?
- houve acolhimento, explicação e presença?
- houve sensação de violência ou de recurso salvador, ou as duas coisas ao mesmo tempo?
E depois
- houve contato pele a pele?
- houve separação?
- o ambiente era acolhedor?
- houve outras intervenções logo em seguida?
O nascimento não é um ponto. É uma linha inteira. E o corpo registra todos os capítulos.
Sensibilidade, criatividade e espiritualidade (quando a dor também abre recursos)
O fórceps pode deixar marcas intensas, sim. Mas não produz apenas dor. Em algumas pessoas, ele também abre caminhos de sensibilidade, criatividade e espiritualidade, como se o corpo buscasse, ao longo da vida, aquilo que faltou no início: suavidade, presença, calor, fluxo.
Nem todo mundo vive essa dimensão, e está tudo bem. Quando aparece, costuma ser recurso real: significado, amparo, reorganização.
O ponto aqui não é romantizar. É reconhecer a complexidade humana: ferida e recurso podem coexistir.
Caminhos de cura: como o corpo pode reorganizar o início
Depois de compreender as marcas, chegamos ao essencial. O corpo não precisa repetir eternamente a primeira história. Ele pode se reorganizar quando encontra apoio, presença e segurança.
Acessar não é reviver
Acessar o nascimento não é reviver dor de forma desorganizada. É reencontrar o lugar onde a história parou e oferecer ao corpo aquilo que não existia antes: apoio, ritmo, orientação, escolha, consentimento possível.
Completar o gesto interrompido
No fórceps, o impulso orgânico do bebê pode ter sido interrompido. Em terapia somática pré e perinatal, o corpo pode completar esse gesto em segurança, encontrar ritmo próprio, direção e autonomia. A reorganização é neurológica.
Transformar pressão em contenção
A compressão do fórceps pode virar enxaquecas, tensão crônica e hiperalerta. A cura acontece quando o corpo aprende a diferenciar pressão que machuca e contenção que sustenta.
A relação terapêutica como reparação
Muitas vezes, o que faltou no início foi algo simples e profundo: companhia segura. Na terapia, a presença do terapeuta oferece acolhimento, orientação, olhar, ritmo e vínculo. Quando o corpo se sente acompanhado, a defesa cede.
A cura não é apagar a história. É permitir que ela deixe de organizar a vida.

Conclusão: elaborar para nascer por dentro
O nascimento a fórceps não define destino, mas pode criar curvas internas que moldam sensações, escolhas, padrões e reações. Essas curvas podem ser transformadas quando o corpo encontra apoio para reorganizar sua chegada ao mundo.
Elaborar não é sofrer. Elaborar é reorganizar. E reorganizar é nascer de novo por dentro.
Um convite mais profundo: a Vivência Pré e Perinatal (3 dias para reorganizar o início)
Se este texto tocou algo em você, seja porque você nasceu a fórceps, porque seu filho nasceu assim, ou porque você atende pessoas com essa história, talvez seu corpo esteja reconhecendo uma verdade simples: existem dores que não se resolvem apenas entendendo. Elas se transformam quando são metabolizadas com presença.
A Vivência Pré e Perinatal é um retiro intensivo de três dias presenciais para pessoas que desejam elaborar profundamente sua história de gestação e nascimento, acessando através do corpo memórias implícitas que moldam padrões emocionais, somáticos e relacionais.
Não é um evento para “reviver sofrimento”. É um espaço para oferecer ao sistema nervoso aquilo que muitas vezes faltou no começo: segurança, ritmo, orientação, escolha e apoio humano.

Durante esses três dias, você é conduzido para:
- acessar memórias pré-verbais com cuidado e contenção
- reconhecer como certos padrões de esforço, controle, pressão, autoridade e resistência se organizaram
- diferenciar no corpo pressão e contenção, invasão e apoio
- completar gestos interrompidos, respeitando o tempo do seu sistema nervoso
- reorganizar sua relação com ajuda, presença, vulnerabilidade e autonomia
- permitir que a raiva deixe de ser explosão ou veneno e encontre um lugar mais digno: limite, direção e proteção saudável
- construir uma experiência interna onde a história deixa de ser repetição e vira integração
Para muitas pessoas, o primeiro grande alívio não é lembrar. É sentir, pela primeira vez, que não precisa atravessar tudo sozinho. Que pode haver apoio sem invasão. Que pode haver condução sem violência. Que pode haver presença sem pressa.
Se você sentir que é o seu momento, clique no link abaixo
QUERO ME INSCREVER NA VIVÊNCIA PRÉ E PERINATAL
Referências Bibliográficas
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The aetiology of post-traumatic stress following childbirth: A meta-analysis. Psychological Medicine.
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